Por: TAWILA RODRIGUÊS
Há pais que deveriam ser escudos. Há polícias que deveriam proteger. E há casas que deveriam ser refúgios.
Neste caso, segundo a denúncia da vítima, tudo parece ter funcionado ao contrário. Durante cinco anos, uma jovem afirma ter sido abusada sexualmente pelo próprio pai, agente da Polícia. A violência, segundo o seu relato, teria resultado numa gravidez e numa posterior interrupção forçada.
O mais perturbador? Ela diz que precisou gravar um dos episódios para que familiares acreditassem nela.Parece que, neste país, a palavra de uma vítima precisa de vídeo para ganhar peso.O tribunal condenou o arguido a 12 anos de prisão e ao pagamento de 200 mil meticais.
A defesa recorreu, e a sentença aguarda o desfecho dos trâmites legais. Mas fica a pergunta que nenhuma sentença consegue apagar.
Durante cinco anos, onde estavam os adultos que deveriam protege-la?
Porque, quando uma criança precisa de produzir provas do próprio sofrimento para ser acreditada, o problema já não está apenas dentro de uma casa. Está também no silêncio de quem ouviu e preferiu não escutar.
( Tawila Rodriguês)





