Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) apelam ao fim dos ataques contra instalações de saúde em Cabo Delgado, depois de um centro de saúde apoiado pela organização ter sido saqueado durante um ataque à aldeia de Quelimane, no distrito de Mocímboa da Praia, no dia 21 de Setembro.
De acordo com o MSF, durante o ataque foram roubados medicamentos e outros materiais médicos essenciais, situação que pode comprometer a continuidade dos cuidados de saúde prestados à população local.
A coordenadora nacional do MSF em Moçambique, Pooja Iyer, que é citada numa publicação da organização humanitária, alertou que os ataques contra unidades sanitárias agravam a situação de comunidades que já enfrentam os efeitos do conflito e dos deslocamentos.
“Os ataques e saques a instalações de saúde, bem como o roubo de medicamentos e equipamentos médicos, têm consequências devastadoras para as comunidades que já enfrentam extrema vulnerabilidade devido a conflitos e deslocamentos.”, lese ma publicação de sexta-feira (2).
Segundo Iyer, a interrupção de tratamentos pode representar riscos particularmente graves para pessoas que vivem com doenças crónicas, como VIH, tuberculose, hipertensão e diabetes.
O MSF defende que os serviços de saúde devem ser protegidos e que pacientes, profissionais de saúde e cuidadores devem ser respeitados, independentemente das condições de segurança nas zonas afectadas pelo conflito.
A organização está presente em Cabo Delgado desde 2019, prestando assistência médica e humanitária a pessoas deslocadas, comunidades de acolhimento e populações afectadas por emergências relacionadas com eventos climáticos extremos.
Em Mocímboa da Praia, onde iniciou as suas atividades médicas em 2022, o MSF realizou mais de 57 mil consultas externas entre Janeiro e junho de 2026. No mesmo período, as equipas trataram cerca de 12 mil pacientes com infecções respiratórias e acompanharam 132 pessoas diagnosticadas com VIH.
Para o MSF, a protecção das unidades sanitárias e dos trabalhadores humanitários é essencial para garantir que as comunidades afectadas pela violência continuem a ter acesso aos cuidados de saúde de que necessitam. (Quarianews)





