O número de pessoas deslocadas internamente devido ao terrorismo em Cabo Delgado caiu 5% nos últimos meses, mas a redução ainda não representa uma viragem definitiva na crise humanitária que afecta a província.
Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), referentes ao período entre Maio e Junho de 2026, indicam que 449.876 pessoas continuavam deslocadas em Cabo Delgado, que concentra 68% da população deslocada identificada em Moçambique.
A diminuição está relacionada principalmente com o regresso de famílias às suas zonas de origem, numa altura em que algumas áreas apresentam sinais de melhoria das condições de segurança.
O movimento de retorno, contudo, ocorre ao mesmo tempo que novos ataques continuam a provocar deslocações. Segundo a OIM, algumas comunidades foram novamente obrigadas a abandonar as suas zonas de residência devido à insegurança.
A situação cria um cenário de movimentos simultâneos: enquanto milhares de pessoas regressam, outras deixam as suas comunidades pela primeira vez ou são novamente deslocadas.
Em todo o país, a avaliação contabilizou 663.769 deslocados internos, distribuídos por 160.502 agregados familiares. O número representa uma ligeira subida de 0,3% face aos 661.992 deslocados registados na avaliação anterior, divulgada em Fevereiro.
O crescimento nacional está associado sobretudo à inclusão de novas áreas de monitoria em Gaza, onde as chuvas intensas e inundações ocorridas durante a época chuvosa de 2025/2026 provocaram deslocações.
Os números mostram, desta forma, que a deslocação interna em Moçambique resulta de crises com características diferentes. Em Cabo Delgado, a insegurança continua a ser o principal factor, enquanto em Gaza os eventos climáticos extremos ganharam peso.
Apesar dos progressos no retorno, a permanência de centenas de milhares de pessoas fora das suas comunidades demonstra que a estabilização ainda é frágil. Para muitas famílias, voltar para casa continua dependente da segurança, da existência de serviços básicos e da possibilidade de reconstruir os meios de subsistência.
De acordo com o levantamento feita pelo Quarianews, os ataques terroristas incluindo movimentos recentes foram reportados em Mocimboa da Praia, Muidumbe, Macomia, Quissanga, Meluco, Nangade, Palma e Ancuabe. (Quarianews)





