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Terrorismo em Cabo Delgado! Parte 1

Por MIlda Quaria

Nos primeiros ataques, os insurgentes, como eram designados na altura, queriam apenas os agentes da PRM, conforme relatam fontes ouvidas pelo  Quaria News apartir de Mocimboa da Praia, província de Cabo Delgado. O grupo extremista em seus primeiros ataques, pediam até colaboração da população de modo a ter localizações de todos os agentes da  PRM em Mocimboa da Praia, inicialmente. Assim sendo, no dia cinco de Outubro de 2017, o dia do primeiro ataque (passe a repetição), alguns professores depararam-se com seus alunos membros do grupo terrorista, que foram automaticamente mandados a ficar em suas casas escondidos para evitar que fossem atingidos por balas perdidas. Conforme relata a fonte:

“Prefiro falar em anonimato porque temo sofrer represarias. Nos primeiros ataques os terroristas nos mandavam ficar dentro das nossas casas, posso assim afirmar que nem nos machucavam, excepto se você reconhecesse um deles. Na altura não queriam ser reconhecidos por ninguém e nem demostravam que poderiam nos matar como fazem hoje em dia. Recordo que já gritaram na minha frente junto alguns populares que a luta não é connosco como população simples se não com o Estado. O Governo que vem para roubar nossos recursos e vão enriquecendo enquanto nós morremos a fome.

Muitos de nós apoiamos no inicio, não precisamos ir as matas  ou ser espiões, mas ficávamos felizes quando destruíssem infraestruturas do Estados e esquadras. Estávamos enganados quanto a eles. Mas uma das coisas o qual suspeito, eles queriam nossa confiança para podermos mandar nossos filhos, servirmos de espiões e seus aliados. Fomos enganados e quase que caímos nessa armadilha. Quando perceberam sobre a existência de pessoas que colaboravam com as FDS ou melhor as autoridades, tudo mudou. Passaram a nos caçar e matar como se fôssemos animais. Eles são selvagens, perderam a humanidade. Uma vez que  sentimo-nos roubados corelação aos nossos recursos, em algum momento não denunciávamos os que conhecemos porque não queríamos as multinacionais na nossa província. Principalmente porque o nosso Governo nos acha pessoas sem capacidades para nada. Imagina só, até pedreiros tinham que vir da zona Sul e Centro, ou mesmo estrangeiros. Nós ficamos apenas olhando nossas vilas cheias de pessoas estranhas que chegaram com objectivo de fazer dinheiro em nossas terras. Paralisamos nossas actividade nas minhas em Montepuez por causa de empresas que chegaram agora, por causa dos nossos recursos. Confesso o meu arrependimento pelos dois lados, seja pela parte do Governo assim como por ter em algum momento ter sido facilmente enganado pelos terroristas no inicio desta guerra. Já nem sei porque nos matam e porque ninguém nos acode. Parece ser uma luta onde o povo simplesmente esta num campo de batalha e sofre pelo facto de ser o elo mais fraco. “Relatou.

É do conhecimento de todos que a maior parte dos membros integrantes deste grupo que vem causando pânico e  terror em Cabo Delgado desde cinco de Outubro de 2017, foram pagos valores avultados com objectivo de  incitar o extremismo violento naquele canto do país. De acordo com a nossa investigação jornalística, muitos destes jovens, não tinham conhecimento sólido do tipo de prestação de serviços pretendido pelos “bosses,” se não os líderes ou comandantes dos ataques que também se encontram nas matas atualmente como é o caso de Bonomar Machude Omar entre outros. Aliás, uns foram manipulados, a partir das crenças religiosas que os fez  crer que trata-se de numa causa Divina, isto é, fazer o  Jihad, Sharia, a justiça divina naquelas regiões, principalmente porque a maioria são Muçulmanos. Muitos destes eram comerciantes, outros eram estudantes de algumas madraças que estranhamente foram surgindo ao longo dos anos antes do terrorismo principalmente entre 2014 a 2016, que  sem sucesso foi reportado ao Governo Local pelos líderes religiosos em Cabo Delgado. Outrora, trata-se de uma ignorância do Governo ou algo de conhecimento do Governo uma vez reportado desde 2014 e nada se fez.

 

O que é Jihad?

Jihad é um termo árabe que significa “luta”, “esforço” ou empenho. É muitas vezes considerado um dos pilares da fé islâmica, que são deveres religiosos destinados a desenvolver o espírito da submissão a Deus.

O termo jihad é utilizado para descrever o dever dos muçulmanos de disseminar a fé muçulmana. É também utilizado para indicar a luta pelo desenvolvimento espiritual.

Ao contrário do que muitas vezes é dito, jihad não significa uma guerra santa, implica mais uma luta interna com o objetivo de melhorar o próprio indivíduo ou o mundo à sua volta. Existem grupos extremistas que usam métodos violentos para transmitirem as suas ideias, mas esse não e o conceito original de jihad.

O conceito de jihad tem dois significados para a religião muçulmana: a luta pela melhoria pessoal sob as leis do islamismo e a luta em busca de uma melhor humanidade, por meio da difusão da influência do islamismo e com o esforço que os muçulmanos devem fazem para levar a religião islâmica para um maior número de pessoas.

O esforço pessoal, espiritual e introspectivo para controlar seus impulsos, sua ira e perdoar os pecados em nome de Alá, é considerado para os muçulmanos a maior jihad.

O segundo significado, a jihad externa, está bem representada na palavra de Maomé, nela os muçulmanos são instruídos a usar meios combativos para difundir a paz e a justiça da religião islâmica para áreas que não estejam sob a influência do profeta Maomé.

Jihad-islâmica

Jihad-islâmica é uma organização palestina nacionalista, de orientação fundamentalista, que surgiu na década de 70, na Faixa de Gaza, criada por estudantes egípcios que achavam a Irmandade Muçulmana moderada demais e não comprometida com a causa palestina. Seu objetivo é destruir Israel e criar um Estado islâmico na região, sob o controle dos palestinos.

O grupo extremista é a mais independente das facções muçulmanas e conta com o apoio restrito da população. Seu líder espiritual é Abd al-Aziz e o líder principal é Ramadan Shallah, um palestino educado no Reino Unido.

Guerra Santa

A “guerra santa” é um recurso extremista usado pelas religiões monoteístas, ao longo da história, para proteger seus dogmas ou seus lugares sagrados. Esse recurso é usado também como estratégia geopolítica de expansionismo das civilizações. As principais guerras santas, já travadas ao longo da história, tiveram origem no Cristianismo e no Islamismo.

De acordo com líderes religiosos ouvidos pelo Quaria News, a guerra em Cabo Delgado, Niassa e Nampula, não tem haver com a Religião Muçulmana. “São bandidos terroristas camuflados na religião Muçulmana para não serem descobertos pelas autoridades.

Milda: Vários vídeos por eles publicados nas redes sociais afirmam serem Muçulmanos. O que tem a dizer sobre estas afirmações?

XTrata-se de uma grande calúnia para com a nossa Religião. Estes terroristas estão a manchar o Islão, não só aqui em Cabo Delgado ou Moçambique, em todos os países onde estes estão a atuar.  Tantas vezes comunicamos ao nosso Governo a nível  Local que algumas madraças estavam a ensinar erradamente aos nossos jovens trazendo até instruções que poderiam ser fatais como crentes e como pessoas. Se fosse algo da nossa religião estaríamos todos de acordo com eles, mas eu lhe asseguro que ESTES NÃO SÃO MUÇULMANOS, são bandidos, terroristas e nós repudiamos a guerra em Cabo Delgado e em qualquer canto do País ou no mundo. O Alcorão ensina-nos a ter Paz, Amor e Compaixão ao outrem. Nada haver com o extremismo violento. Nada haver mesmo.

Milda: Em sua opinião, o que deve estar a motivar estes jovens terroristas?

X: Essas pessoas foram pagas para matar. Sabem quem os paga e porque estão a fazer guerra. Sou da opinião que os primeiros recrutados conhecem o seu chefe e se calhar ate conhecem as reais intenções desta tristeza que nos fazem passar.

Milda: O que a religião tem feito para evitar que pessoas inocentes sejam enganadas e recrutadas para fazer parte deste grupo?

X: Falamos da nossa essência, do verdadeiro Mensageiro no Mundo, falamos daquilo que ALLAH através do nosso livro sagrado, o Alcorão nos ensina. Fazemos de tudo de modo a evitar para que nas mesquitas ou madraças as pessoas sejam desviadas por estes terroristas que cada dia que passa enganam e manipulam jovens e famílias inocentes. Mas as pessoas gostam de dinheiro rápido. ensinamos a ter uma vida justa. uma alma pura. Eles encontram pessoas desprevenidas com muita ansiedade de prosperar seja financeiramente ou em termos de estudo religioso. A proveito deste modo chamar atenção a todos para sermos vigilantes, não podemos cair em situações enganosas que nos levaram as matas.  Não é de hoje esta luta que se tem Cabo Delgado por causa dos recursos, a diferença é que nos anos de hoje vivenciamos na integra o terrorismo na nossa província comparativamente ao antes e pós independência nacional do colonialista português que acompanhávamos nos bastidores a luta pelo poder politico e pelos recursos minerais e naturais de Cabo Delgado. Muito antes da independência nacional que já acompanhamos barrulho  por causa da nossa província devido aos recursos naturais e minerais. Esse plano de marginalizar Cabo Delgado é desde a época colonial. “Relatou.

De salientar que Cabo Delgado vive situações de terrorrismo desde cinco de Outubro de 2017, até então se desconhece, quem são os verdadeiros mandantes e finaciadores. Milhares de pessoas perderam suas vidas e muitas ainda deslocaram-se para outras regiões fugindo esta guerra.

Por Milda Quaria

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