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	<title>Minas em cabo delgado Archives - A verdade sempre prevalece</title>
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		<title>Quem controla as minas em Cabo Delgado e a que preço?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[mildaquarianews]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 12:30:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Investigação Quaria]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo delgado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cabo Delgado é frequentemente descrito como um país de enorme riqueza mineral: rubis, ouro, grafite, turmalina, gás natural e pedras preciosas. Mas a pergunta central permanece sem resposta clara: Quem realmente controla essa riqueza e quem fica de fora? Entre concessões mineiras, estruturas offshore e suspeitas de conflitos de interesse, emerge um sistema onde o [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Cabo Delgado é frequentemente descrito como um país de enorme riqueza mineral: rubis, ouro, grafite, turmalina, gás natural e pedras preciosas. Mas a pergunta central permanece sem resposta clara: Quem realmente controla essa riqueza e quem fica de fora? Entre concessões mineiras, estruturas offshore e suspeitas de conflitos de interesse, emerge um sistema onde o subsolo é conhecido, mas os beneficiários finais permanecem invisíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas afinal, quem controla efetivamente os recursos minerais em Cabo Delgado e qual é o custo político, social e fiscal desse controle?Os dados analisados mostram uma forte concentração de concessões mineiras em poucas empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Empresas com maior número de concessões:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mwiriti Mining Lda- 8 concessões, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabo Delgado Inertes e Minerais &#8211; 5 concessões,</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Mondial Mozambique 3 concessões, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Grafite Kropfmuehl de Moçambique- 3 concessões,</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Grupo Silda Secarp Industrial &#8211; 3 concessões. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Apenas 6% das empresas controlam cerca de 25% das licenças mineiras, revelando um padrão de concentração significativo. A geografia do valor e do conflito. A concentração não é apenas empresarial, é também territorial. Cabo Delgado (Montepuez e Ancuabe) Maior concentração de rubis, ouro e turmalina.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Cerca de 66 concessões apenas em Montepuez, minerais mais explorados:</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Rubi: 29 concessões, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ouro: 23 concessões, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Grafite e pedra de construção: 20 concessões cada. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, as áreas mais ricas em recursos coincidem com zonas historicamente afetadas por tensão e conflito. Um dos principais achados da investigação é a dificuldade em identificar os verdadeiros donos dessas empresas. Portanto, nota-se, porém, o uso recorrente de empresas registadas em Maurícias, Emirados Árabes Unidos e Hong Kong. Outrossim, os beneficiários finais frequentemente são classificados como sendo não identificáveis, pois fazem de tudo para que as suas identidades sejam sigilosas! A ideia destes empresários é explorar em Cabo Delgado sem que o povo moçambicano, exclusivamente os nativos nunca saibam sobre as suas identidades, a demais, fica uma dúvida sobre o pagamento de imposto das mesmas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caso 1- Mwiriti Mining: o controlo que mudou de mãos, 8 concessões em Cabo Delgado (Montepuez e Ancuabe). Inicialmente com participação de investidores locais e estrangeiros. Em 2020, o controle passou para Nairoto Resources registado nas Maurícias. A sua estrutura atual é de 99,95% Nairoto Resources e 0,05% Nairoto Resources Holding (opaca). O registo offshore dificulta identificar quem realmente controla a empresa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Caso 2 &#8211; Gemfields e o domínio do rubi. A multinacional opera através de várias subsidiárias: Montepuez Ruby Mining, Megaruma Mining, Novo Megaruma Mining, Eastern Ruby Mining. O controle estimado está entre 5 a 6 concessões de rubi em Cabo Delgado. Portanto, também tem participação dominante de holdings registadas nas Maurícias. O rubi de Montepuez tornou-se um dos centros mais valiosos da cadeia global de pedras preciosas, mas com baixa transparência local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caso 3 &#8211; Grafite Kropfmuehl: a mineração estratégica é de 3 concessões de grafite em Ancuabe e Balama, com controlo maioritário de holding estrangeira (Maurícias). Histórico de transição de propriedade de indivíduos para estruturas offshore. O grafite, essencial para baterias e indústria tecnológica, segue o mesmo padrão de opacidade. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O custo fiscal: quanto o Estado perde?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"> Os dados sugerem riscos elevados de perda de receita pública devido a estruturas offshore, possível sub declaração de produção, exportações não totalmente rastreadas, beneficiários finais não identificáveis. Contudo, existe um problema central, pois, o Estado pode não estar a capturar o valor real dos recursos extraídos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cabo Delgado: recursos e insegurança.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sobreposição entre zonas de insurgência, áreas de exploração mineral, levanta questões críticas, como é o caso de deslocamento de comunidades sem indemnização adequada, disputa por território rico em recursos estratégicos, presença de interesses económicos complexos na região. Isto é meramente importante porque esta relação deve ser tratada como hipótese investigativa, exigindo provas adicionais e contraditório rigoroso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> <strong>Redes empresariais e cadeias ocultas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As empresas operam através de redes complexas que incluem subcontratação, parcerias internacionais, cadeias de exportação pouco transparentes, ligações com logística e segurança privada. Consequentemente o resultado é a dificuldade em rastrear o fluxo total de riqueza mineral. A nossa investigação aponta uma tendência principal na concentração, poucas empresas controlam grande parte das concessões. Sendo assim, grandes empresas ficam com minerais de alto valor; pequenas empresas com recursos de baixo retorno.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Riscos e silêncio</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Investigar este setor envolve riscos reais: pressão política, ameaças legais, desinformação estratégica, possível perseguição judicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O país que não sabe quem explora a sua riqueza</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Num país onde o subsolo vale milhões, a verdadeira disputa não é apenas por recursos, é por informação, controle e poder. A questão já não é apenas o que Moçambique tem no seu solo, mas quem está a enriquecer enquanto isso acontece. Os donos das minas não aparecem nos mapas. Mas aparecem nos lucros, e nas ausências: de impostos, de transparência e de justiça. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A terra vermelha de Namanhumbir, no distrito de Montepuez, transformou-se num dos territórios minerais mais disputados de África. O que antes era mata, machamba e garimpo artesanal virou uma gigantesca zona de exploração industrial cercada por arame farpado, segurança armada e interesses milionários. Ali, onde milhares procuravam sobrevivência no subsolo, nasceu a maior mina de rubi do mundo. Mas também nasceu um profundo sentimento de exclusão. Hoje, muitos perguntam: terá o rubi de Montepuez alimentado apenas riqueza… ou também ressentimento, tensão social e revolta?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O RUBI QUE MUDOU CABO DELGADO </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2009, garimpeiros artesanais descobriram enormes depósitos de rubi em Namanhumbir. A descoberta foi considerada pelo Gemological Institute of America como uma das mais importantes do século no setor das pedras preciosas. Pouco depois, a área foi concessionada à Mwiriti Mining, empresa associada ao General Raimundo Pachinuapa, veterano da luta de libertação nacional, ex-governador de Cabo Delgado e figura histórica da FRELIMO. Em 2011 nasce a Montepuez Ruby Mining (MRM), resultado da parceria entre a Mwiriti e a multinacional britânica Gemfields PLC.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estrutura acionista chamou atenção :75% para a Gemfields; 25% para a Mwiriti.Nascia oficialmente uma das operações mineiras mais valiosas do continente africano.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OS DONOS DO SUBSOLO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabo Delgado tornou-se um mapa de concessões minerais. Rubis, grafite, ouro, gás natural e pedras preciosas atraíram multinacionais e elites económicas ligadas ao poder político e militar. Entre os principais operadores destacam-se: Mwiriti Mining do General Raimundo Pachinuapa, onsiderado um dos nomes mais influentes no sector do rubi em Moçambique. Gemfields PLCMultinacional britânica que controla a maior fatia da MRM e comercializa rubis de Montepuez no mercado internacional. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Syrah Resources, uma empresa australiana responsável pela gigantesca mina de grafite de Balama.GemRock / Diacolor Grupo ligado ao setor indiano de pedras preciosas com forte presença em concessões de rubi. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O GARIMPO EXPULSO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes da mineração industrial, milhares de famílias sobreviviam do garimpo artesanal. Criou-se uma economia paralela, barracas, pequenos negócios, transporte informal, agricultura e o comércio local. Mas em 2016 tudo mudou. Forças policiais, militares e seguranças privados avançaram sobre a área mineira para remover garimpeiros e populações consideradas ilegais dentro da concessão. Nesse ano houve espancamentos, tortura, destruição de casas, mortes e expulsões forçadas. Em 2019, a Gemfields aceitou pagar cerca de 8,3 milhões de dólares num acordo extrajudicial relacionado a alegações de abusos cometidos na região. A empresa negou responsabilidade direta pelos crimes, mas afirmou querer encerrar o litígio. Enquanto isso, antigos garimpeiros repetiam uma frase simples: “Nós já estávamos aqui antes da mina.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DA EXCLUSÃO AO RESSENTIMENTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A insurgência armada em Cabo Delgado começou oficialmente em 2017. As causas do conflito são complexas, pobreza extrema, desemprego juvenil, radicalização religiosa, tráfico ilícito, fragilidade do Estado, exclusão económica e disputa por recursos naturais. Outrossim, em Montepuez, muitos perderam terra, acesso ao garimpo, rendimento e esperança de integração económica. O discurso que começou a circular era perigoso: “Os recursos saem daqui. A riqueza fica com elites e estrangeiros.” O ressentimento acumulou-se. Em fevereiro de 2020, milhares de garimpeiros invadiram áreas da MRM em protesto. Novas tentativas de invasão voltaram a ocorrer nos anos seguintes, mostrando que a tensão nunca desapareceu completamente. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O PARADOXO DE CABO DELGADO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Montepuez tornou-se símbolo de um paradoxo moçambicano, o território mais rico…mas também um dos mais instáveis. Enquanto pedras preciosas são leiloadas em mercados internacionais, muitas comunidades locais continuam sem emprego, escolas adequadas, hospitais, água, estradas e compensações claras. A grande questão permanece aberta: Quem beneficia realmente da riqueza mineral de Cabo Delgado? As populações locais? O Estado? As multinacionais? Ou uma pequena elite político-económica? As grandes descobertas de recursos minerais e energéticos em Cabo Delgado aconteceram em diferentes períodos, mas o grande boom começou entre os anos 2000 e 2010. Aqui está uma cronologia resumida:Décadas de 1960–1980: já existiam estudos geológicos que indicavam potencial mineral em Cabo Delgado, incluindo grafite, ouro e pedras preciosas, mas a exploração era limitada por falta de tecnologia, guerra civil e investimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anos 2000: empresas internacionais começaram a intensificar pesquisas mineiras e petrolíferas no norte de Moçambique.2006 a 2007: foram assinados contratos de concessão para pesquisa de hidrocarbonetos na Bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado, envolvendo empresas como a Anadarko e a ENH. 2010: aconteceu a descoberta considerada histórica das enormes reservas de gás natural na Bacia do Rovuma, especialmente no campo Windjammer. O próprio Instituto Nacional de Petróleo (INP) considera 18 de Fevereiro de 2010 como marco da grande descoberta do gás em Cabo Delgado. 2011–2012: novas descobertas gigantes de gás foram anunciadas nos campos Prosperidade, Atum, Golfinho, Coral e outros, colocando Moçambique entre os países com maiores reservas de gás natural do mundo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Rubis de Montepuez: os depósitos de rubis em Montepuez começaram a ganhar fama mundial por volta de 2009–2011, quando empresas mineiras internacionais passaram a explorar a região de Namanhumbir. Hoje, os rubis de Montepuez são considerados dos mais valiosos do planeta. Hoje, Cabo Delgado é conhecido por gás natural, rubis, grafite, ouro, turmalinas, mármore e outros minerais estratégicos. Essas descobertas transformaram Cabo Delgado numa das regiões mais disputadas economicamente em Moçambique e no sul de África. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O silêncio de uma geração perdida</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante anos, algo estranho acontecia em Cabo Delgado. Muito antes dos tiros, das decapitações das aldeias queimadas, já haviam sinais. Em bairros periféricos de Pemba, em mercados improvisados e corredores comerciais esquecidos pelo Estado, jovens sem remo eram recrutados r treinados para terrorismo que hoje se vive a quase 9 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Milda Langa</p>
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