Início Política e Sociedade CARBONO, DINHEIRO E COMUNIDADES: MOÇAMBIQUE PREPARA REGRAS PARA A PARTILHA DE BENEFÍCIOS

CARBONO, DINHEIRO E COMUNIDADES: MOÇAMBIQUE PREPARA REGRAS PARA A PARTILHA DE BENEFÍCIOS

Consulta pública em Maputo debate critérios para aprovação, comercialização e distribuição de receitas dos projectos de carbono.

MAPUTO — O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) realizou, na sexta-feira, 11 de Setembro, em Maputo, uma reunião de consulta pública sobre os Termos de Referência do Regulamento do Mercado de Carbono, instrumento que pretende estabelecer regras para a implementação, coordenação, aprovação e comercialização de projectos de carbono em Moçambique.

A consulta pública visa recolher contribuições para a definição de critérios que permitam assegurar o funcionamento adequado dos projectos de carbono nos diferentes sectores, bem como estabelecer regras para a comercialização dos créditos e a distribuição dos benefícios resultantes dessas actividades.

Comunidades no centro da partilha de benefíciosDe acordo com os Termos de Referência apresentados, o regulamento deverá prever um acordo justo e equitativo de partilha de benefícios com as comunidades, considerando os custos do capital investido, o papel, as responsabilidades e a contribuição das partes interessadas na redução e remoção das emissões de gases com efeito de estufa.

O documento estabelece ainda que a partilha de benefícios deverá, de forma geral, contemplar investimentos sociais com impacto directo ou indirecto no bem-estar das crianças e dos jovens das comunidades beneficiárias.Entre as áreas previstas estão a educação, saúde, nutrição, acesso à água e saneamento, capacitação dos jovens e criação de meios de subsistência resilientes às mudanças climáticas.

O regulamento deverá igualmente definir regras para a afectação das receitas entre a entidade gestora, as comunidades locais e o Estado. Regras para evitar projectos não autorizadosSegundo Jadwiga Massinga, técnica do MAAP e da DINAMC, um dos principais problemas que o regulamento pretende resolver é a ausência de critérios claros para determinar quais projectos de carbono podem ser aprovados e implementados no país. “O principal problema que o regulamento quer resolver é o estabelecimento de critérios ou regras para determinar quais projectos podem ser aprovados, a fim de evitar a execução de projectos de carbono em Moçambique não autorizados”, explicou Massinga.

A técnica referiu também que existe uma percentagem de créditos que permanece em Moçambique, situada entre 2% e 5%, além de taxas e impostos associados aos projectos. Segundo a explicação apresentada, essas disposições estão relacionadas com a contribuição do país para as suas metas climáticas, incluindo a NDC e o Fundo de Adaptação.

Contudo, a aplicação exacta dessas percentagens, bem como a sua relação com créditos, receitas ou benefícios, deverá ser esclarecida no regulamento.Percentagens variam consoante o sectorNo sector florestal, Massinga explicou que a legislação prevê uma percentagem de 20% de benefícios para as comunidades, enquanto, no mecanismo REDD+, a percentagem de benefícios pode ser negociada entre a comunidade e a empresa responsável pelo projecto.

A técnica acrescentou que cerca de 2% dos créditos podem beneficiar o Estado, embora a percentagem possa variar de acordo com o sector e as características do projecto.As regras definitivas deverão esclarecer a base de cálculo, os destinatários e os mecanismos de distribuição desses benefícios.

Fiscalização dos recursosQuanto à fiscalização dos recursos destinados às comunidades, Massinga indicou que a responsabilidade deverá envolver a área que superintende as mudanças climáticas, no MAAP, e a Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA), entidade responsável pela fiscalização ambiental.

De acordo com a técnica, as comunidades e os promotores dos projectos deverão reunir-se para discutir e definir como serão utilizados os benefícios resultantes dos projectos de carbono. A consulta pública representa, assim, uma etapa na construção de um quadro regulamentar que pretende conciliar a protecção ambiental, o desenvolvimento económico e a participação das comunidades na distribuição dos benefícios do mercado de carbono.

Yule Nhaca

Artigo anteriorMoçambique passa de cinco para 1.270 órgãos de comunicação social em três décadas!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui