A rede pública de saúde em Moçambique deverá contar com maior disponibilidade de medicamentos e material médico-cirúrgico na sequência de uma nova entrega avaliada em cerca de 35 milhões de dólares, financiada com apoio do Banco Mundial.
Os produtos foram recebidos esta segunda-feira, em Maputo, pelo Governo, numa iniciativa que pretende reforçar o abastecimento das unidades sanitárias e reduzir as dificuldades enfrentadas pelos pacientes na procura de medicamentos essenciais.
Entretanto, o Ministério da Saúde alerta que o desafio não termina com a aquisição dos produtos. A prioridade passa agora por garantir que os medicamentos sejam distribuídos de forma adequada e cheguem efectivamente às pessoas que procuram os serviços de saúde.
O ministro da Saúde, Ussene Isse, defendeu maior rigor na gestão dos recursos e apelou aos responsáveis do sector para assegurarem transparência em todas as fases do processo.
“Podemos ter tantos medicamentos, mas se estes não chegam à boca do doente não melhora o atendimento”, afirmou Isse, sublinhando que a disponibilidade de stocks deve traduzir-se em benefícios concretos para os pacientes.
Como parte das medidas de controlo, o Governo introduziu igualmente um selo de rastreabilidade que permitirá acompanhar o percurso dos medicamentos ao longo da cadeia de distribuição.
A ferramenta pretende responder às preocupações relacionadas com o furto, desvio e desperdício de medicamentos, permitindo uma maior capacidade de controlo sobre os produtos destinados ao sistema nacional de saúde.
O director da divisão do Banco Mundial para Moçambique, Madagáscar, Maurícias, Camarões e Seicheles, Fily Sissoko, considerou que a avaliação do abastecimento deve partir do seu resultado final: saber se o medicamento chegou ao paciente que dele necessita.
Sissoko apelou ao Ministério da Saúde para rever as estratégias de distribuição existentes, corrigir eventuais falhas e reforçar a responsabilização dos diferentes actores envolvidos na cadeia de fornecimento.
A expectativa é que o reforço do abastecimento, aliado aos mecanismos de rastreabilidade, contribua para melhorar a resposta das unidades sanitárias e garantir maior eficiência na utilização dos recursos destinados à saúde.
No entanto,
PRM de Nampula detém transportador de 28 anos por suspeita de transporte ilegal de medicamentos
Um taxista de 28 anos foi detido pela Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Nampula, por suspeita de envolvimento no transporte ilegal de medicamentos.
O indivíduo, que opera no trajecto Nampula–Mocuba, foi interpelado pelas autoridades enquanto transportava uma encomenda contendo 10 embalagens de azitromicina em comprimidos. Segundo a PRM, os medicamentos não estavam acompanhados de documentação que comprovasse a sua origem e eram transportados em condições consideradas inadequadas.
A apresentação do indiciado aconteceu na tarde desta terça-feira (15), na 8.ª Esquadra da PRM, onde o jovem prestou declarações à imprensa.
Na sua versão, o transportador afirmou que desconhecia o conteúdo da encomenda e que apenas foi contratado pelo proprietário para efectuar o transporte, mediante o pagamento de 300 meticais.
O jovem contou ainda que foi abordado por agentes da Polícia durante uma patrulha nas proximidades do Mercado dos Bombeiros, na cidade de Nampula.
Segundo o transportador o proprietário da encomenda teria posteriormente comparecido perante as autoridades, apresentando documentos relacionados com os medicamentos. Acrescentou que os fármacos estavam a ser devolvidos ao distrito de Mocuba por apresentarem condições inadequadas para o consumo humano.
O porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, Dércio Samuel, confirmou que a Polícia considera suspeita a proveniência dos medicamentos “Quando foi questionado, o mesmo não apresentou nenhuma documentação. Os medicamentos estavam próximos do prazo de validade e eram transportados em condições inadequadas, daí a preocupação da Polícia”, explicou.
As autoridades policiais dizem estar a realizar diligências para localizar um segundo indivíduo que, alegadamente, estaria envolvido no esquema de transporte ilegal de medicamentos para diferentes pontos. (Atlas Orion)





