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	<title>Casamentos prematuros Archives - A verdade sempre prevalece</title>
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		<title>Padre Kiwiri Fonseca denuncia o silêncio que empurra meninas para casamentos prematuros!</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2026 06:03:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">Quando uma menina é retirada da escola para ser entregue ao casamento, não se interrompe apenas uma trajectória escolar. Interrompe-se uma possibilidade de futuro. Quando uma criança é obrigada a assumir responsabilidades conjugais antes de estar preparada, a sociedade não está apenas diante de um casamento prematuro: está perante a negação do direito de uma menina crescer, estudar, escolher e decidir sobre a própria vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É contra esta realidade que o padre Kiwiri Fonseca levanta a voz. Para o sacerdote, os casamentos prematuros continuam a ser alimentados por uma combinação perigosa de factores culturais, pobreza material, falta de perspectivas e aquilo que classifica como “pobreza mental” de alguns pais e familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, acima de tudo, Fonseca identifica uma narrativa antiga que ainda pesa sobre muitas famílias: a ideia de que a menina nasceu para casar e que o casamento pode ser uma solução para os problemas que enfrenta. “Não se pode olhar o casamento como solução de algum problema”, alerta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quando a cultura transforma o casamento em destino! </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o padre Kiwiri Fonseca, a dimensão cultural tem um peso significativo na manutenção dos casamentos prematuros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em algumas comunidades, persiste o receio de que, à medida que a menina cresce, venha a escolher um homem que a família não aceitaria. Noutros casos, existe a convicção de que aos 15 ou 16 anos uma rapariga já estaria suficientemente crescida para casar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma mentalidade que, segundo o sacerdote, acaba por limitar as escolhas das meninas e transformar a sua idade num argumento para antecipar uma decisão que deveria pertencer à própria pessoa quando adulta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A esta realidade junta-se a pobreza. Famílias sem recursos suficientes para garantir a continuidade dos estudos podem acabar por encarar o casamento como uma alternativa. Mas há também uma pobreza que não se mede apenas em dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonseca fala de “pobreza mental” quando os próprios pais deixam de acreditar que uma menina pode estudar, formar-se, desenvolver-se e construir uma vida diferente daquela que tradicionalmente lhe foi destinada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado é uma narrativa que se repete de geração em geração: a menina não precisa estudar muito, não precisa tomar decisões, não precisa escolher o seu próprio caminho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Precisa casar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma menina não pode ser uma solução para os problemas da família</strong>! </p>



<p class="wp-block-paragraph">O padre Fonseca rejeita a ideia de que o casamento possa ser utilizado para resolver problemas familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma gravidez precoce, por exemplo, não deve transformar-se automaticamente numa razão para empurrar uma menina para o casamento. Da mesma forma, dificuldades económicas ou receios dos pais sobre o futuro da filha não podem justificar a retirada dos seus direitos. “Não se pode olhar o casamento como solução de algum problema”, insiste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o sacerdote, a menina deve ter a oportunidade de estudar, crescer e desenvolver capacidade de decisão. O casamento, se vier a acontecer, deverá ser uma escolha feita na idade adulta, e não uma imposição determinada pela família.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O preço que as meninas pagam</strong>! </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os efeitos dos casamentos prematuros, segundo Fonseca, ultrapassam largamente a cerimónia ou a união entre duas pessoas. O sacerdote chama atenção para problemas como fístulas, doenças, aumento da pobreza e perda do poder de decisão por parte das meninas. Entretanto, existem também feridas que não são imediatamente visíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como existem, traumas, frustrações e problemas emocionais, afectivos e psicológicos podem permanecer durante toda a vida. Em situações extremas, o sofrimento provocado por uma união imposta pode ser tão profundo que algumas vítimas podem chegar a considerar o suicídio como forma de escapar daquela realidade. “Uma pequena coisa que poderia se pensar como casamento pode provocar muitos outros males”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Fonseca, combater os casamentos prematuros significa, por isso, prevenir uma cadeia de consequências que pode comprometer toda a vida de uma criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A igreja católica não deve ficar em silêncio </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva do sacerdote, a Igreja Católica tem igualmente um papel importante na prevenção. Fonseca sustenta que as uniões prematuras não são bem-vindas pela Igreja e que o matrimónio cristão pressupõe uma idade adequada. Por isso, defende que a Igreja deve utilizar a sua capacidade de influência junto das famílias e comunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A catequese, as homilias e o trabalho de educação podem servir para desencorajar os casamentos prematuros e ajudar as famílias a compreender que uma menina não precisa de casar cedo para ter um futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação religiosa, na visão do padre, pode caminhar lado a lado com a educação familiar e comunitária para formar meninas e famílias capazes de compreender que o casamento não deve ser uma imposição. “Muitas vezes as meninas são obrigadas” Disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos aspectos que mais preocupa Fonseca é a desigualdade entre meninas e meninos quando se fala de casamentos prematuros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sacerdote observa que são poucos os casos encontrados de meninos que entram precocemente em uniões matrimoniais, enquanto existem numerosos relatos envolvendo meninas. “Muitas vezes as meninas são obrigadas”, reafirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modi, a declaração coloca em evidência uma realidade em que o peso das normas sociais e familiares recai de forma desproporcional sobre as raparigas, que acabam privadas da possibilidade de decidir sobre o próprio corpo, educação e futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sensibilização sem responsabilização não chega</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o padre Fonseca, campanhas de sensibilização são importantes, mas não suficientes. Sendo assim, é necessário que as famílias sejam conscientizadas, mas também é fundamental que exista responsabilização quando uma criança é forçada ou conduzida a um casamento prematuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outrossim, os Pais, familiares e outros adultos envolvidos devem ser responsabilizados, defende, sobretudo quando obrigam uma criança a casar ou falham deliberadamente na protecção da menor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sua visão, a existência de uma lei que considera o casamento prematuro um crime perde força quando não é acompanhada por uma aplicação efectiva da justiça. “Se houver essas penalizações, se houver mesmo a justiça poder trabalhar, todos os dias poder combater, esse mal poderá ser, digamos, erradicado.” Para o sacerdote, a impunidade pode alimentar a continuidade do fenómeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A responsabilidade começa dentro de casa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O combate aos casamentos prematuros não pode ser deixado apenas às organizações da sociedade civil ou às instituições do Estado. O padre Fonseca coloca a responsabilidade sobre toda a sociedade. Contudo, os Pais, mães, familiares, professores, escolas e líderes comunitários devem assumir um papel activo na protecção das meninas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação, segundo o sacerdote, deve ensinar às raparigas que o seu futuro não termina no casamento e que elas têm direito a estudar, desenvolver-se e tomar decisões sobre a própria vida. “Todos nós temos essa responsabilidade de ajudar as meninas”, defende. Para Fonseca, é uma responsabilidade que, na sua visão, deve atravessar tanto as comunidades rurais como as urbanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Investir nas meninas para quebrar o ciclo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o padre Kiwiri Fonseca, denunciar quem pratica ou facilita casamentos prematuros é importante, mas a sociedade precisa fazer mais do que punir. &#8220;É necessário investir nas meninas.&#8221; Disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Investir na sua educação. Investir na sua formação. Investir na sua autonomia. Investir na capacidade de tomarem decisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção, nesse sentido, não começa apenas quando uma criança está prestes a ser levada ao casamento. Começa muito antes, quando a família decide se aquela menina continuará ou não na escola, quando acredita ou não nas suas capacidades e quando lhe permite imaginar um futuro para além do casamento. “Não é possível nós convivermos com o mal”. Repisou ainda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O padre Kiwiri Fonseca deixa uma mensagem que ultrapassa os muros da Igreja: o combate aos casamentos prematuros exige união. “Qualquer pai, qualquer mãe, qualquer familiar, qualquer adulto”, seja numa comunidade rural ou urbana, deve assumir responsabilidade nesta luta. Para o sacerdote, aceitar os casamentos prematuros como parte da normalidade significa condenar a próxima geração a condições ainda mais difíceis. “Se nós continuarmos a conviver com esse mal, estaremos nós deixando a futura geração em péssimas condições.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, defende uma sociedade que denuncie os responsáveis, rejeite as práticas que legitimam os casamentos prematuros e, sobretudo, crie condições para que as meninas não sejam obrigadas a abraçar aquilo que chama de “esse mal chamado casamento prematuro”. A luta, no fundo, não é apenas contra o casamento prematuro. É contra a ideia de que uma criança pode ter o seu futuro decidido por outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E enquanto uma menina continuar a ser impedida de estudar, de escolher e de decidir porque alguém acredita que o casamento é o seu único destino, a sociedade continuará a falhar com ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Milda Langa</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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