Entre bancas de verduras, roupas e alimentos, os mercados de Xipamanine e Xikelene são também espaços onde mulheres carregam histórias de luta, sobrevivência e violência doméstica. Durante a ronda jornalística, algumas vítimas relataram experiências marcadas por agressões físicas, ameaças, humilhações, violência sexual e dependência económica. “Ele batia-me sempre porque eu não fazia nada. Agora que tenho a minha banquinha aqui no mercado de Ximanine ele controla meu dinheiro, daz ameaças e leva o dinheiro depois vai beber.” Rematou Lurdes de Xipamanine.
Desse modo, a violência não termina nas paredes do lar. “Mesmo aqui no mercado existem colegas que usam expressões que nós, como mulheres, sentimos como se estivéssemos a ser psicologicamente violadas, não há respeito para com o nosso corpo. Relatou Joana de Xikelene.
Outrossim, para muitas mulheres, a falta de recursos financeiros, o medo de represálias e a preocupação com os filhos dificultam a denúncia e a saída de relações abusivas. “Não é fácil ser mulher em Moçambique.” Acrescentou Ana de Xipananine.
O cenário observado nos dois mercados mostra que a violência baseada no género assume várias formas, algumas visíveis e outras silenciosas. Controlar o dinheiro, impedir a mulher de trabalhar, humilhá-la ou ameaçá-la também são formas de violência. Combater este fenómeno exige mais do que campanhas de sensibilização. É preciso garantir autonomia económica, mecanismos seguros de denúncia e instituições capazes de acolher as vítimas com respeito, protecção e sem julgamento.
Enquanto muitas mulheres continuam a trabalhar diariamente para sustentar as suas famílias, outras enfrentam, em silêncio, uma batalha dentro das próprias casas. O desafio é fazer com que esse silêncio deixe de proteger os agressores e passe a dar voz às vítimas. (QUARIA NEWS)





