A crise de abastecimento de gasolina continua a agravar-se na cidade de Pemba, onde, há cerca de duas semanas, longas filas se formam diariamente nas principais gasolineiras, obrigando automobilistas e outros consumidores a procurar alternativas no mercado informal.
O problema começa igualmente a fazer-se sentir em diferentes distritos de Cabo Delgado, numa altura em que a Polícia da República de Moçambique (PRM) intensifica as operações contra a venda e o transporte irregular de combustíveis.
Nas principais bombas de combustível de Pemba, a procura supera a oferta, provocando filas que se prolongam por várias horas. Há casos em que não tem, além de pessoas que chegaram a pernoitar para conseguir a gasolina. Perante as dificuldades para encontrar gasolina nas gasolineiras, parte dos consumidores recorre aos vendedores informais, que aproveitam a escassez para elevar os preços.
Em alguns pontos da cidade, 100 ou 120 e até 150 meticais compram apenas meio litro de gasolina, o equivalente a 200 ou mais meticais por litro, mais do dobro do preço de referência de 93,69 meticais por litro.
A situação, inicialmente mais visível na capital provincial, começa a alastrar-se para outros pontos de Cabo Delgado, aumentando a pressão sobre consumidores e operadores que dependem do combustível para garantir a sua actividade diária. De acordo com o portal Mozanorte, no distrito de Macomia o litro de combustível chega a custar 300 meticais enquanto que em Namuno vai além disso.
O combate ao comércio informal de combustível ocorre, porém, num cenário particularmente delicado: Moçambique continua a ter uma forte dependência das actividades económicas informais, que constituem uma importante fonte de rendimento para milhares de famílias.
Em Pemba, a escassez de gasolina cria uma contradição evidente. Enquanto as autoridades procuram travar a comercialização informal e a especulação, consumidores que não conseguem abastecer nas gasolineiras recorrem precisamente a esse mercado para manter viaturas, motorizadas e pequenas actividades económicas em funcionamento.
Para muitos vendedores, a comercialização de combustível surge como uma oportunidade de rendimento num momento de elevada procura. Aos consumidores, representa uma alternativa embora muito mais cara perante as dificuldades de abastecimento nas bombas.
Enquanto as filas continuam a marcar as principais gasolineiras de Pemba e a escassez começa a afectar outros distritos da província, permanece a pressão sobre as autoridades para que a fiscalização seja acompanhada por soluções capazes de garantir o abastecimento regular.
Refira-se que a porta-voz da PRM em Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, tornou púbico que a data altura num trabalho de 24 horas, a corporação apreendeu 170 litros de gasolina em diferentes pontos da província, no âmbito das operações contra a comercialização e o transporte irregular de combustíveis na via pública, venda clandestina e especulação de preços. (Atlas Orion)
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