O jornalista Adolfo Manuel, um dos fundadores do jornal Horizonte e correspondente de alguns jornais e organizações da sociedade civil nacionais, perdeu a vida na noite desta quarta-feira, 2 de setembro, na aldeia Muaja, distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, vítima de doença.
Nos últimos dias, Adolfo Manuel encontrava-se na aldeia Muaja, onde recebia cuidados médicos tradicionais, numa tentativa de encontrar alívio para os problemas de saúde que vinha enfrentando, após dias difíceis de tratamento na medicina convencional.
Antes da sua morte, precisamente em junho, o jornalista havia relatado a colegas as dificuldades que enfrentava para dar continuidade ao tratamento de um problema no braço. Segundo uma mensagem enviada a alguns colegas no dia 19 de junho, Adolfo Manuel dizia estar há um ano e seis meses à espera de uma nova intervenção cirúrgica, que não acontecia alegadamente devido à falta de material cirúrgico no bloco operatório.
“Já não suporto pessoal”, escreveu o jornalista, referindo-se ao sofrimento causado pelo problema no braço e às dificuldades que enfrentava para conseguir o tratamento.

Adolfo Manuel que deixa uma viúva e filhos menores, havia sido operado a 6 de fevereiro de 2024, tendo-lhe sido colocado material metálico no braço após um acidente.
Segundo o próprio quando em vida, a previsão era de que o material fosse retirado após um ano, mas a intervenção não chegou a acontecer dentro do período esperado.
Numa comunicação que partilhou com colegas, o jornalista afirmou que um médico lhe havia orientado a regressar ao hospital Provincial de Pemba onde recebia tratamento, no dia 23 de junho para avaliar a possibilidade de realizar a cirurgia, dependendo da disponibilidade de materiais como luvas, oxigénio, iodo e outros equipamentos necessários.
Ele enfrentou o difícil problema dos hospitais de Moçambique, o de falta de material médico para os profissionais tal como tem sido anunciado pelos profissionais de saúde.
A situação, segundo o relato de Adolfo Manuel, gerava também indignação pelo facto de alguns pacientes conseguirem ser operados enquanto ele continuava à espera.
O agravamento do seu estado de saúde acabou por levá-lo à aldeia Muaja, onde, nos últimos dias, procurava tratamento através da medicina tradicional.
A morte de Adolfo Manuel deixa colegas, amigos e familiares de luto. Foi um grande profissional bem como uma pessoa de fácil trato. Descansa em paz colega Adolfo Manuel.
(Quarianews)





