O Hospital Central de Maputo (HCM) alerta para o aumento preocupante de casos de crianças atendidas com corpos estranhos no organismo.
Segundo um comunicado divulgado pelo Serviço de Urgências da maior unidade hospitalar do país, foram registados 483 casos apenas no primeiro semestre deste ano, mais 98 casos em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com a informação partilhada na página de Facebook, pelo HCM, corpo estranho refere-se à introdução de objectos ou substâncias de origem externa no organismo através de orifícios como a boca, narinas e ouvidos, ou ainda através da pele, podendo provocar lesões e desconforto.
Entre os objectos mais frequentemente encontrados estão brinquedos, missangas, pilhas de relógios e comandos, botões, moedas, tampas de garrafas e espinhas de peixe. As crianças entre 18 meses e seis anos de idade estão entre as mais afectadas.
O hospital considera a situação preocupante, uma vez que, dependendo da localização do objecto, alguns casos podem exigir intervenção cirúrgica e, em situações mais graves, resultar em morte.
Segundo Dino Lopes, especialista em Emergências Médicas do Hospital Central de Maputo, a presença de um objecto preso na garganta pode comprometer rapidamente a respiração da criança. “Se o objecto fica preso na garganta, por exemplo, a criança deixa de respirar e, sem o devido controlo ou uma rápida intervenção, em menos de vinte minutos pode perder a vida”, explicou o médico, citado pelo HCM.
O especialista chama ainda atenção para o perigo das pilhas utilizadas em relógios e comandos. Quando engolidas, estas podem entrar em contacto com os fluidos do organismo e provocar queimaduras graves na garganta, comprometendo as vias respiratórias e a passagem dos alimentos.
Perante este cenário, o HCM recomenda aos pais, encarregados de educação e educadores que mantenham fora do alcance das crianças objectos pequenos e substâncias que possam representar perigo.
A unidade sanitária aconselha também atenção a sinais como dor súbita, perda de audição, dificuldade ou bloqueio da respiração, emissão de sons anormais pela boca ou pelas narinas e outros sinais de desconforto. Em caso de suspeita de ingestão ou introdução de um corpo estranho, a recomendação é procurar imediatamente a unidade sanitária mais próxima.
O Hospital Central de Maputo considera que o aumento dos casos deve servir de alerta para toda a sociedade, reforçando a necessidade de vigilância permanente e de criação de ambientes mais seguros para as crianças. (Quarianews)





