Por: Francisco Langa
Na província da Zambézia, surge uma situação que merece reflexão: o Governo rejeita, ou pelo menos não coloca em funcionamento, uma escola construída por iniciativa do edil de Quelimane, Manuel de Araújo.
Trata-se de uma infraestrutura cuja construção, segundo as informações disponíveis, não foi financiada directamente pelo Governo. Depois de concluída, a escola teria sido entregue ao Governo Provincial para que pudesse ser utilizada em benefício da população.
Mas a pergunta que fica é simples: por que razão uma escola construída para servir as crianças continua sem ser utilizada, enquanto há alunos a estudar ao relento?
Afinal, a política em Moçambique não deveria ter como principal objectivo servir o cidadão?
Independentemente da cor partidária de quem constrói uma escola, o mais importante deveria ser o benefício que essa infraestrutura representa para a comunidade. Se uma criança pode deixar de estudar debaixo do sol ou da chuva porque existe uma sala de aulas disponível, então essa sala deve ser utilizada.

Não deveria importar quem colocou os tijolos, quem financiou a obra ou quem cortou a fita. Importa que as crianças tenham um lugar digno para estudar.
Por isso, faço um apelo ao Governo Central para que reavalie esta situação e procure compreender por que razão o esforço realizado por Manuel de Araújo não está a produzir o benefício público para o qual a escola foi construída.
Moçambique tem enfrentado diversos casos e denúncias relacionados com o uso indevido de recursos públicos. Temos acompanhado polémicas envolvendo instituições do Estado, incluindo o INSS e a LAM, entre outras situações que levantam sérias questões sobre a gestão do dinheiro público.
Quando surgem alegações de desvios de fundos e utilização de recursos para benefícios particulares, a sociedade pergunta-se: por que é tão difícil transformar recursos em escolas, hospitais, estradas e outros bens que beneficiem directamente o cidadão?
É justamente por isso que iniciativas destinadas ao interesse público devem ser valorizadas, independentemente de quem as promove.
Uma escola não deve ser vista como propriedade de um partido político. Uma escola pertence à comunidade.
Se Manuel de Araújo construiu uma infraestrutura para beneficiar crianças, o gesto deve ser reconhecido pelo seu valor social, e não transformado numa disputa política.
Não podemos permitir que a rivalidade política seja colocada acima do futuro das nossas crianças.
Se a escola está pronta, se pode ser utilizada e se existem crianças a estudar ao relento, então o lugar dessa escola é aberta e cheia de alunos — não fechada por razões políticas ou administrativas.
O cidadão não quer saber quem ganhou a disputa política. Quer saber quem vai resolver o problema.
Que o Governo Provincial e o Governo Central olhem para esta questão com responsabilidade e coloquem o interesse público acima das diferenças partidárias.
Bem-haja, Sr. Manuel de Araújo, por pensar nas crianças. Que a política não transforme uma boa iniciativa numa oportunidade perdida. (Francisco Langa)





