Início Actualidade, Nacional Insurgentes voltam a atacar em Balama e raptam na vila de Mocímboa...

Insurgentes voltam a atacar em Balama e raptam na vila de Mocímboa da Praia

Duas novas ocorrências atribuídas a insurgentes foram reportadas esta semana no distrito de Balama e recentemente no de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, envolvendo ataques a uma comunidade rural e rapto de civis.

Na quarta-feira, 19 de agosto corrente, um grupo de insurgentes voltou a atacar a aldeia de Messalo, na localidade de Mpaka, Posto Administrativo de Mavala, distrito de Balama. Nesta incursão algumas pessoas foram capturadas durante, mas posteriormente libertadas, encontram-se agora em sua comunidade junto dos seus familiares.

Mesmo assim, o ataque aumentou novamente o receio no seio dos moradores, que, de acordo com fontes, consideram prematuro regressar às actividades de sobrevivência enquanto persistir o risco de novas incursões, de acordo com varias fontes locais.

A aldeia Messalo onde igualmente ocorrem actividades de mineração artesanal já havia sido alvo de ataques no passado recente. Em Setembro de 2025, registaram-se incursões de insurgentes na região de Mavala, incluindo ataques à própria comunidade de Messalo, destruição de residências e deslocação de famílias.

A ACLED refere-se num dos seus relatórios que regista-se uma evolução do conflito no sul de Cabo Delgado desde 2025, verificando-se a presença de grupos insurgentes junto de áreas de mineração de ouro em Balama e arredores, no caso de Montepuez. Segundo a organização, os insurgentes procuraram obter dinheiro e acesso ao ouro, tendo também exigido contribuições aos garimpeiros.

Por outro lado, na noite 14 de agosto, entre aproximadamente as 22h00 e a meia-noite, outro grupo de insurgentes, identificado escalou a vila de Mocímboa da Praia, passando pelos bairros Filipe Nyusi e Josina Machel.

Durante a incursão, várias pessoas terão sido raptadas. O número exacto ainda não foi confirmado até esta sexta-feira. No bairro Filipe Nyusi, de acordo com uma nota consultada pelo Quariasnews uma mulher relatou que o marido e os três filhos foram levados pelo grupo após ter sido agredida fisicamente antes de conseguir fugir e procurar segurança noutra zona.

Na sua actualização de agosto de 2026, a ACLED aponta que as operações das forças estatais na floresta de Catupa, em Macomia, pressionaram elementos do Estado Islâmico de Moçambique (EIM), levando grupos de combatentes a deslocarem-se para sul e oeste. A organização considera que essa dispersão aumenta a ameaça para comunidades de Quissanga, Meluco, Ancuabe e Chiúre, além de zonas da província de Nampula.

A ACLED também alerta que a expansão para oeste pode afectar actividades de mineração informal e de pequena escala, enquanto o movimento dos insurgentes cria novas oportunidades para ataques nas áreas onde o grupo mantém posições ou redes de apoio, incluindo Mocímboa da Praia.

Em junho, a ACLED já havia registado que o EIM tinha passado por quatro locais de mineração informal durante a sua permanência no sul de Cabo Delgado, antes de começar a regressar às suas bases em Macomia. No mesmo período, a organização registou actividade insurgente no norte, incluindo ataques com engenhos explosivos em Macomia e Mocímboa da Praia.

A organização contabilizava, entre 1 e 14 de junho de 2026, pelo menos 11 eventos de violência política em Cabo Delgado, elevando o total acumulado desde outubro de 2017 para 2.408 eventos. No mesmo período, foram registadas pelo menos oito mortes relacionadas com violência política, quatro das quais civis. (Atlas Orion)

Artigo anteriorA MÃO ENFAIXADA E O CARTAZ: O QUE CHAPO ESTÁ A RESPONDER?
Próximo artigoQuelimane e Nampula: Cuidar gravidez e depois cometer crime: bebé recém-nascido e feto abandonados em lixeiras

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui