Nove crianças foram supostamente raptadas na noite de segunda-feira por terroristas na aldeia de Quelimane, interior do distrito de Mocímboa da Praia, numa incursão ocorrido por volta das 23h00, segundo fontes locais.
Os atacantes entraram na localidade sem efectuar disparos, depois destruíram barracas, saquearam alimentos e outros bens de primeira necessidade e d seguida invadiram o centro de saúde local, de onde terão todos medicamentos.
De acordo com as fontes, foi nestas circunstâncias que os insurgentes raptaram os nove menores das suas residências e fugiram posteriormente em direcção às matas.
Após o ataque, dezenas de famílias abandonaram a aldeia Quelimane procurando refúgio na vila de Mocímboa da Praia e em Diaca, por medo de novas incursões.
Um residente citado por fontes locais afirmou que os homens “vieram calados” e levaram comida, medicamentos e crianças.
Entretanto, na manhã de terça-feira, 22 de Setembro, outro ataque foi reportado no distrito de Muidumbe, nas zonas baixas de Xitaxi e Chitunda, comunidade que estão localizados ao longo da Estrada Nacional N380, que liga Macomia a Oasse.
Há igualmente informações que indicam que pelo menos quatro pessoas morreram e outras 14 foram supostamente raptadas, sendo que várias das vítimas seriam camponeses que se encontravam nas machambas.
Os novos episódios surgem depois de outros incidentes reportados na região nos últimos dias, incluindo o alegado rapto de três comerciantes em Inguri, no sábado, de sete camponeses junto ao rio Messalo, no domingo, e a morte de pescadores na zona da lagoa de Inguri, na segunda-feira.
A sucessão de ocorrências tem aumentado a apreensão entre as comunidades rurais, que dependem da agricultura, pesca do lago Inguri, pequenos comércios para a sua sobrevivência.
A situação ocorre num contexto de elevada vulnerabilidade das crianças em Cabo Delgado. Dados das Nações Unidas indicam que, em 2025, foram verificadas 552 violações graves contra crianças nas províncias de Cabo Delgado e Nampula, incluindo 175 casos de recrutamento e utilização de menores por grupos armados.
O UNICEF tem igualmente alertado para raptos e recrutamento de crianças no norte de Moçambique, enquanto dados provinciais apontam para cerca de 124 mil pessoas deslocadas em Cabo Delgado desde o início de 2026, das quais aproximadamente 52 mil são crianças.
Até ao fecho desta informação, não havia um pronunciamento público detalhado das autoridades de Muidumbe e da Polícia da República de Moçambique sobre o número definitivo de mortos, raptados e desaparecidos. (Quarianews)





