Início Artigo de opinião QUANDO O PRESIDENTE URINA NO TÚMULO DO ANSELMO!

QUANDO O PRESIDENTE URINA NO TÚMULO DO ANSELMO!

Por: Solomon Mondlane

Na XI Conferência Nacional de Quadros da Frelimo que decorre em Chimoio, o Presidente Daniel Chapo subiu ao pódio de vermelho. Falou de “paz”, de “diálogo inclusivo” e da “resiliência do povo moçambicano”. Mas “diálogo inclusivo” não tem nenhum significado na cabeça dele, e “resiliência” na realidade dele significa pôr a UIR e a PRM contra cidadãos inocentes, as mesmas pessoas que dizem ter votado neles. Houve uma palavra que ele não disse: Anselmo. Não disse o nome de Anselmo Vicente, Coordenador do ANAMOLA, morto a tiro quando regressava de uma reunião política na mesma cidade, no dia 9 de Maio. Não disse os nomes dos 56 Coordenadores do ANAMOLA mortos no último ano. Não disse “quem deu a ordem para matar”. Esse silêncio grita mais alto do que qualquer discurso. É um dedo do meio à família do Anselmo. É urinar no túmulo dele. É usar o palco da Frelimo para mentir e manipular a mente das pessoas, enquanto o sangue ainda está fresco no chão.

1. MENTIRAS PARA ESCONDER OS CRIMES: Num vídeo que circula nas redes sociais, parte do seu discurso, Chapo falou de violência eleitoral injustificada 2024-2025, perpetrada por agentes contrários ao interesse nacional. Falou de “diálogo inclusivo orientado para a reconciliação nacional. Mas omite quem matou. Omite quem deu as ordens. Omite que a violência não veio de agentes abstratos. Veio de um sistema que prende, intimida e mata quem ousa contestar as eleições. É importante falar da guerra em Cabo Delgado. Os nossos irmãos e irmãs lá merecem verdade, paz e justiça. Mas Chapo não vai dizer a verdade. Ele usa Cabo Delgado como frase de discurso, enquanto a Frelimo beneficia do caos: contratos, negócios de segurança e saque dos nossos recursos continuam, enquanto a guerra se arrasta.

Fica bem falar da guerra em Cabo Delgado e prometer soluções para uma crise que a própria Frelimo começou na nossa província. Mas ele ignora a guerra que o próprio partido declarou aqui mesmo, contra eleitores, contra coordenadores, contra quem ousou questionar o poder em 2024. Em vez de focar na verdade eleitoral e em como chegou ao poder, Chapo distorce os factos. Fala de paz em Cabo Delgado, mas cala-se sobre o sangue nas nossas ruas e nos nossos bairros aqui no resto do país.

2. UMA VERGONHA PARA EDUARDO MONDLANE E OS FUNDADORES: Eduardo Mondlane fundou a Frelimo para libertar e para melhorar a vida das gerações vindouras. Os nossos pais e avós pegaram em armas e depois em enxadas com esse sonho. Hoje, a Frelimo do Chapo tornou-se uma ferramenta usada contra essas mesmas gerações. Serve para enriquecer alguns “barões”, enquanto os nossos filhos estudam debaixo de árvores e as mães não encontram medicamentos. Falar de “coesão social” e “paz” na mesma cidade onde um Coordenador da oposição foi executado, sem pedir perdão, sem prometer justiça, é uma vergonha. É uma traição ao legado de Mondlane.

3. ISTO É SOBRE O POVO, NÃO SOBRE INDIVÍDUOS: Não se distraiam. Isto não é sobre um líder ou um nome. É perseguição a qualquer moçambicano que pergunta: “onde foi parar o dinheiro?” É perseguição a qualquer professor, médico, jornalista, Coordenador como o Anselmo, que acredita que o voto deve contar.O Chapo pode continuar a fazer discursos. Pode continuar a manipular. Mas o povo já decidiu em 2024 e vai decidir de novo em 2028 e 2029. Quem deve ter medo é ele. Porque cinquenta anos já bastam. QUEM DEU A ORDEM PARA MATAR O ANSELMO? Enquanto essa pergunta não tiver resposta, nenhum discurso sobre “paz” em Chimoio será credível. Revisão: AX7

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