Por: Dique César Inglosse
O ex-Presidente Joaquim Chissano apareceu mais uma vez na praça pública, com fato e gravata, para vir “apelar” contra a corrupção no INSS e falar de “cultura de paz”.
Respeito a idade. Mas respeito a verdade ainda mais.
1. SOBRE O ROUBO NO INSS: O QUE O CHISSANO PODIA DIZER DE DIFERENTE?
Senhor Chissano, com todo respeito: o senhor não podia dizer nada diferente.
Porque a corrupção que hoje sangra o INSS, que rouba o pão do trabalhador e do reformado, é filha legítima do sistema que o senhor ajudou a fundar e a consolidar.
Foi no seu governo que se institucionalizou o famoso “cabritismo”: o cabrito come onde está amarrado.
Foi o senhor quem deu a luz verde para que dirigentes do partido-estado tratassem o erário público como quintal privado. Privatizações opacas, megaprojetos sem dono, desvios que começaram pequenos e hoje viraram rombos de milhões.
Vem agora falar de “cultura de não corrupção”?
Que cultura é essa que o senhor semeou durante 18 anos no poder? A cultura do saque, da impunidade e do “ninguém vai preso”.
Se o senhor estivesse preocupado, teria falado quando ainda tinha poder para travar. Agora falar é fácil. É discurso para inglês ver.
2. SOBRE A PAZ: QUAL PAZ, SENHOR CHISSANO?
O senhor se apresenta como “Arquiteto da Paz”. Mas que paz é essa?
É a paz dos cemitérios?
Porque enquanto o senhor fala de paz, membros do partido Anamola estão a ser perseguidos, raptados e mortos por agentes do Estado. Pela UIR. Pela polícia política do seu partido FRELIMO.
Qual é a paz que existe quando um jovem é morto por pensar diferente?
Qual é a paz que existe quando se cala o povo com bala e intimidação?
Qual é a paz que existe quando se rouba o voto e depois se chama isso de “estabilidade”?
O senhor assinou o Acordo de Paz de Roma. Honramos isso. Mas a paz não é só ausência de guerra entre partidos. Paz é pão, é justiça, é liberdade de expressão, é poder contestar sem morrer.
E isso, senhor Chissano, o seu partido FRELIMO destruiu.
CONCLUSÃO:
O povo moçambicano já não é criança. Já não come mais discurso.
Não venha o senhor dar lições de moral sobre corrupção quando foi no seu quintal que o cabrito aprendeu a comer.
Não venha falar de paz quando o sangue dos nossos irmãos da Anamola ainda está fresco no chão.
O que Moçambique precisa hoje não é de mais apelos. Precisa de justiça. Precisa de responsabilização. Precisa de mudança.
E essa mudança se chama ANAMOLA. A voz do povo que já não aguenta mais ser roubado e calado.
O tempo do cabritismo acabou. Chegou o tempo do povo.





