A forte presença e prontidão das forças moçambicanas terão sido determinantes para impedir que combatentes ligados ao Estado Islâmico em Moçambique (ISM) avançassem para o interior da Reserva Especial de Niassa, numa altura em que os insurgentes voltaram a tentar penetrar na região entre finais de Julho e inicio de Agosto.
A avaliação consta de uma análise de Peter Bofin, especialista regional da ACLED para o Sudeste da África, na sequência do mais recente alerta de viagem emitido pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, em 21 de agosto, que desaconselha viagens a Cabo Delgado, a alguns distritos de Nampula e à Reserva Especial de Niassa.
Segundo Bofin, na sua analise de 25 de Agosto, a recente incursão apresentou diferenças significativas em relação à ofensiva registada em 2024, quando os insurgentes conseguiram movimentar-se pelo interior da reserva com pouca resistência.
O especialista recorda que, na incursão anterior, os insurgentes conseguiram deslocar-se pela reserva praticamente sem oposição, destruíram um conhecido alojamento de caça e provocaram a deslocação de mais de 2.000 pessoas de aldeias da província de Niassa. A violência também afectou o sector do turismo de caça, uma das actividades económicas relevantes na região.
Desta vez, porém, a resposta das forças moçambicanas foi mais rápida e contundente. De acordo com Peter Bofin, as forças militares moçambicanas perseguiram os combatentes do ISM até à zona da reserva e confrontaram-nos pelo menos quatro vezes durante o mês de agosto, no lado de Cabo Delgado da Reserva Especial de Niassa.
Como consequência “Pelo menos 20 combatentes do ISM morreram nesses confrontos, 16 dos quais num confronto nas minas de ouro de Shamba Kubwa, perto da província de Niassa.”, disse.
Justifica ele que a capacidade de resposta das forças moçambicanas terá contribuído para conter os insurgentes antes que estes conseguissem avançar profundamente para o interior da reserva, reduzindo o risco de repetição do cenário observado em 2024.
Bofin atribui parte deste sucesso à crescente colaboração entre as estruturas de conservação e turismo e as forças militares. Segundo o especialista, os militares beneficiam do conhecimento do terreno por parte dos guardas florestais locais, bem como de recursos aéreos capazes de localizar e acompanhar movimentos de grupos insurgentes.
Para o especialista, esta combinação de conhecimento do terreno, vigilância e capacidade militar representa uma vantagem importante para as forças de contra-insurgência, que, durante a incursão anterior, não dispunham do mesmo nível de informação.
Apesar dos resultados alcançados, Bofin alerta que a ameaça não deverá desaparecer. As zonas de mineração de ouro existentes na região continuam a representar um incentivo para os insurgentes, que podem obter receitas através de extorsão, resgates e do acesso ao próprio ouro.
O especialista considera, por isso, que manter os insurgentes afastados do interior de Niassa poderá ter importância estratégica para Moçambique, tanto para proteger as comunidades e a actividade turística como para limitar o acesso do grupo às redes de apoio na Tanzânia. (Atlas Orion)





