A 11.ª Conferência de Quadros da Frelimo, que decorre desde a última sexta-feira na cidade de Chimoio, ganhou contornos de forte debate interno depois de Domingos Tivane, antigo director nacional das Alfândegas e fundador da UniTiva, questionar abertamente a forma como o partido tem lidado com casos de corrupção, arrogância e afastamento de dirigentes.
Entretanto, perante membros da Comissão Política e outros quadros do partido, Tivane defendeu que a Frelimo deve abandonar aquilo que considera ser uma cultura de silêncio e de falta de responsabilização, sobretudo quando estão em causa dirigentes acusados de comportamentos que prejudicam a imagem da organização.
Desse modo, na sua intervenção, o antigo dirigente das Alfândegas chegou a observar que, se questões relacionadas com corrupção e arrogância não constituíssem problemas dentro do partido, a conferência poderia ter terminado mais cedo, permitindo aos participantes concentrar-se exclusivamente nos assuntos ligados ao desenvolvimento.
Outrossim, um dos pontos mais sensíveis levantados por Tivane esteve relacionado com a comunicação sobre a saída de dirigentes. O veterano criticou o uso recorrente da expressão “renunciou” para justificar o afastamento de determinados quadros, defendendo que o partido deve apresentar aos cidadãos as verdadeiras razões quando existirem elementos que sustentem a decisão. Entretanto, para Tivane, casos de incompetência, corrupção ou outras condutas consideradas inadequadas não devem ser escondidos atrás de explicações vagas. Segundo ele, havendo evidências, a sociedade deve ser informada sobre os motivos que levaram à retirada de determinado dirigente.“Vamos acabar com isso. Vamos informar ao povo porque é que tiramos este dirigente, se for o caso, e houver evidências”, afirmou.O antigo director nacional das Alfândegas recorreu ainda à sua experiência no passado para defender uma maior abertura no tratamento de comportamentos considerados desviantes.
Outrossim, segundo recordou, anteriormente determinados casos eram discutidos dentro do partido e, quando necessário, tornados públicos. Na perspectiva de Tivane, recuperar essa prática poderia contribuir para reforçar a responsabilização dos dirigentes e reconstruir a confiança dos cidadãos na organização política e renovação na liderança.
A intervenção não se limitou às questões de corrupção e transparência. Domingos Tivane também defendeu uma renovação geracional na estrutura dirigente da Frelimo. Entretanto, o veterano considerou que quadros com maior experiência, incluindo ele próprio, devem assumir cada vez mais um papel de aconselhamento, criando espaço para que uma nova geração passe a ocupar posições de maior destaque na condução do partido e na governação.
As declarações colocaram no centro da conferência temas particularmente delicados para a Frelimo: corrupção, transparência, responsabilização, renovação dos quadros e confiança dos cidadãos. Ao levar essas questões para dentro de uma das principais reuniões da estrutura partidária, Domingos Tivane transformou a sua intervenção num apelo directo à mudança de práticas e à maior abertura na relação entre o partido, os seus dirigentes e a sociedade.A mensagem deixada em Chimoio é clara: para recuperar a confiança pública, a Frelimo terá de enfrentar os seus próprios problemas com maior transparência e explicar aos cidadãos as decisões tomadas em relação aos seus dirigentes. ( Quaria News)





