A Associação Moçambicana para a Defesa das Minorias Sexuais (LAMBDA) foi distinguida, na última sexta-feira, em Maputo, pelo seu contributo na promoção e melhoria dos direitos de saúde sexual e reprodutiva em Moçambique.A distinção surge no âmbito do projecto Igualdade na Diversidade, implementado pela LAMBDA nas províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Sofala e Maputo, com apoio da Embaixada da Suécia, através do IPAS Moçambique.
Integrada no programa desde Agosto de 2025, a LAMBDA desenvolveu diversas intervenções destinadas a fortalecer o conhecimento e o respeito pelos direitos humanos das pessoas LGBTQIA+. Entre as acções realizadas destacam-se as capacitações dirigidas a magistrados, agentes da Polícia, professores e provedores de saúde, bem como a produção e disseminação de informação sobre os direitos das minorias sexuais e de género. A organização promoveu igualmente diálogos com líderes religiosos, distribuiu materiais de sensibilização e visibilidade e realizou eventos culturais destinados a incentivar a tolerância, o respeito e a convivência na diversidade.
Ao reagir à distinção, o Director Executivo da LAMBDA, Roberto Paulo, destacou a importância das intervenções realizadas e defendeu a necessidade de dar continuidade aos esforços de promoção da inclusão e dos direitos humanos. Roberto Paulo considerou que é necessário continuar a trabalhar para garantir comunidades mais emancipadas e um ambiente social baseado na tolerância e no respeito pela diversidade.
O responsável lamentou, entretanto, o encerramento do projecto, embora tenha defendido que as experiências e lições adquiridas poderão contribuir para a sustentabilidade das intervenções desenvolvidas por organizações como a LAMBDA.Além da LAMBDA, foram distinguidas outras organizações da sociedade civil, entre elas a AMODEFA, Coalizão da Juventude, Acabe, Observatório das Mulheres e a Rede dos Direitos Sexuais e Reprodutivos. Também receberam reconhecimento instituições públicas, incluindo os Ministérios da Saúde e do Género, Criança e Acção Social, bem como a Assembleia da República.
Dessa via, no encerramento da cerimónia, a Directora do Ipas Moçambique, Alice Mugamana Nagura, destacou o papel desempenhado pelos parceiros durante os anos de implementação do projecto. Segundo Nagura, a iniciativa representou mais do que um investimento financeiro, tendo servido como catalisador para mudanças sociais, fortalecimento institucional e promoção dos direitos humanos em Moçambique.
Entretanto, organizado pelo Ipas Moçambique, o evento serviu ainda para apresentar e analisar os resultados alcançados ao longo dos 10 anos de implementação do projecto, além de reconhecer organizações e instituições que contribuíram para a concretização das suas metas. A distinção à LAMBDA surge, assim, como reconhecimento do papel desempenhado pela organização na promoção do acesso à informação, da inclusão e da defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, particularmente entre grupos historicamente expostos à discriminação. (QUARIA NEWS)





