Início Política e Sociedade Surdos de Nampula denunciam exclusão no ensino escolar, formação profissional e emprego

Surdos de Nampula denunciam exclusão no ensino escolar, formação profissional e emprego

Por falta de escolas especializadas, intérpretes de língua de sinais e oportunidades de formação e emprego, pessoas surdas em Nampula dizem estar cada vez mais afastadas de serviços e oportunidades essenciais. As associações que defendem os seus direitos querem respostas concretas das autoridades.

A comunidade surda da província de Nampula voltou a colocar em evidência as dificuldades que enfrenta no acesso à educação, ensino superior, formação profissional, assistência médica e emprego, esta segunda-feira, 21 de Setembro, durante a cerimónia de lançamento da Semana Internacional da Pessoa Surda, que decorre de 21 a 28 de Setembro de 2026, sob o lema “Declarando os Direitos Humanos das Pessoas Surdas”.

Naquela cidade, o encontro juntou cerca de 350 pessoas surdas, entre crianças, jovens e adultos, numa iniciativa que contou com a participação da Associação de Mulheres Surdas (AMAMO), Associação de Jovens Surdos (AJOSMEM) e Associação dos Surdos de Moçambique (ASUMO).

Para os representantes das três organizações, a falta de instituições de ensino e de profissionais capacitados em língua de sinais está a limitar o desenvolvimento académico, profissional e social das pessoas surdas.

Ribeiro Age, adjunto do presidente da ASUMO em Nampula, afirma que as dificuldades são sentidas em praticamente todos os sectores “Temos muitas barreiras em todos os sectores, e estamos a pedir que os institutos de formação superiores abram as portas para que as pessoas surdas possam participar na sociedade normalmente.”, disse considerando que a deficiência auditiva não deve constituir um impedimento ao acesso ao trabalho e à formação.

Segundo Ribeiro Age, mesmo nas escolas onde existem alunos surdos persistem dificuldades de comunicação, devido ao reduzido domínio da língua de sinais por parte dos professores “Nas escolas há muita dificuldade porque os professores não conhecem língua de sinais. Ensinam crianças normais e a pessoa que está lá com deficiência auditiva não percebe.”

O presidente da ASUMO em Nampula, Abdul Saide, transmitiu, através do intérprete de língua de sinais Muze Sude, a preocupação da organização com aquilo que considera serem barreiras que continuam a limitar a participação das pessoas surdas “Estamos preocupados em advogar os direitos da pessoa com deficiência, e a nossa preocupação é a vida e não a discriminação, porque as pessoas com deficiência também têm os mesmos direitos de vida como as outras pessoas.”

Abdul Saide pediu ainda aos parceiros e empregadores que criem condições de comunicação nos locais de trabalho, através da presença de pessoas com conhecimentos de língua de sinais.

A reivindicação estende-se também aos serviços públicos, onde a ausência de intérpretes pode dificultar o acesso a cuidados de saúde, educação, segurança e outros serviços.

A Direcção Provincial de Género, Criança e Acção Social (DPGCAS) reconhece os desafios apresentados pela comunidade surda.

Benvinda Maulana, chefe da repartição da pessoa idosa, que representou a directora provincial da DPGCAS, Cedinha Mpila, afirmou que a instituição está a preparar acções para reforçar a inclusão das pessoas com deficiência.

Entre as medidas previstas está uma capacitação de curta duração dirigida a profissionais da Saúde, Educação e Polícia da República de Moçambique (PRM). (Quarianews)

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