Exames clínicos indicam ocorrência de acto sexual e agressões físicas à menor, mas o líder comunitário está sob custódia policial enquanto o alegado autor encontra-se em fuga.
Uma menor de 12 anos, aluna da 7.ª classe, terá sido vítima de violência física e sexual no último sábado, na comunidade de Kumulique, distrito de Mecanhelas, província do Niassa, disse um morador local.
De acordo com a mesma fonte, o caso está a gerar indignação na respectiva comunidade, depois de a família acusar uma estrutura de liderança local de ter tentado resolver a ocorrência fora das autoridades competentes.
Segundo informações prestadas pela família da vítima, conforme a fonte, a menor encontrava-se numa machamba, onde recolhia restos de feijão-bóer após a colheita, quando foi abordada pelo proprietário do campo.
O homem questionou a presença da menor na machamba e, de acordo com o relato familiar, passou posteriormente a agredi-la fisicamente. A família afirma que, depois das agressões, o suspeito terá cometido acto sexual contra a menor.
A denúncia coloca em causa não apenas a alegada violência cometida contra a criança, mas também a forma como o caso terá sido inicialmente tratado ao nível comunitário.
Depois do sucedido, o caso foi levado à liderança comunitária do bairro. Segundo familiares da vítima, o responsável pela estrutura comunitária é também parente da menor.
É precisamente sobre a intervenção desta liderança que recaem algumas das principais acusações da família.
Os familiares afirmam que o líder comunitário terá procurado evitar que o caso avançasse para as autoridades e teria sensibilizado a família a aceitar 2.700 meticais, valor que alegadamente teria sido disponibilizado pelo homem apontado como autor da violência.
A proposta, porém, terá sido rejeitada pela mãe da menor.
O relato da família, diz que a mãe considerou que aceitar o dinheiro equivale a tratar a violência contra a filha como uma questão passível de compensação financeira.
A recusa acabou por impedir, de acordo com a versão apresentada pela família, que a situação fosse encerrada através daquela solução.
Dias depois, o caso terá sido reactivado com o apoio do projecto comunitário VIVA MAIS, que terá contribuído para o encaminhamento da ocorrência para as estruturas competentes.
A partir daí, a menor foi encaminhada para uma unidade sanitária para avaliação médica, numa tentativa de documentar clinicamente as alegações apresentadas pela família.
O encaminhamento médico tornou-se particularmente importante para a investigação, tendo em conta a necessidade de avaliar possíveis sinais de violência e preservar elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos factos.
Na quarta-feira (17), a menor foi encaminhada para o Centro de Saúde de Mecanhelas, onde foi submetida a observação clínica. os resultados dos exames a que a imprensa teve acesso, foram identificados elementos compatíveis com a ocorrência de acto sexual e agressões físicas.
Os resultados clínicos constituem um dos elementos do processo de investigação. Contudo, a confirmação das circunstâncias em que os factos ocorreram, a identificação do responsável e a eventual responsabilização criminal dependem das diligências das autoridades competentes.
Na sequência da denúncia, o líder comunitário encontra-se sob custódia policial. Já o homem apontado pela família como suposto autor da violência encontra-se foragido da comunidade. (Quarianews)





