Um novo ataque atribuído a insurgentes na zona tampão da Reserva Especial do Niassa foi confirmado por várias fontes e terá provocado a destruição de um empreendimento avaliado em cerca de 3,5 milhões de dólares norte-americanos, ligado ao turismo de natureza e à conservação da biodiversidade na coutada de Marrangira, distrito de Marrupa, província do Niassa.
A informação foi inicialmente divulgada pela página Mozambique Bio, uma conta nas redes sociais dedicada à divulgação de assuntos relacionados com a conservação da biodiversidade em Moçambique. A publicação dá conta de uma incursão de insurgentes numa área próxima da Reserva Especial do Niassa, com consequências para uma infraestrutura privada instalada naquela região.
De acordo com informações obtidas junto de uma fonte, o estabelecimento turístico pertence ao empresário e professor Carlos Queiroz, cidadão português que viveu em Moçambique.
Durante o ataque, o acampamento terá sido saqueado, vandalizado e posteriormente incendiado pelos insurgentes. O empreendimento, desenvolvido ao longo de mais de uma década, estava associado a actividades de turismo de natureza e conservação, representando uma aposta de longo prazo no aproveitamento sustentável dos recursos naturais daquela região do Niassa.
A dimensão exacta dos danos ainda não pôde ser confirmada. As dificuldades de comunicação regular com a área afectada dificultam a verificação no terreno e não permitem, para já, determinar com precisão quais infraestruturas foram destruídas, que bens terão sido saqueados e qual o valor efectivo das perdas.
Também permanece por esclarecer se as comunidades residentes nas proximidades do acampamento foram directamente afectadas pela incursão, pelo menos até à noite desta quinta-feira.
Uma pessoa próxima de Carlos Queiroz disse ao Mozambique Bio que o empresário se encontra “inconsolável” perante a destruição do empreendimento, que representava anos de investimento numa região onde a conservação e o turismo constituem importantes alternativas económicas.
Entretanto, o portal Zitamar News confirmou que houve pelo menos duas vítimas mortais durante o ataque e que pelo menos 13 pessoas estavam desaparecidas. Havia igualmente turistas norte-americanos no local, que foram evacuados com sucesso após a incursão.
Até ao momento, não são conhecidos todos os detalhes sobre o ataque, permanecendo por esclarecer a extensão total dos danos e o paradeiro das pessoas dadas como desaparecidas.
Quaria News





