A aquisição de viaturas milionárias pelo Conselho Constitucional está a provocar uma onda de críticas entre cidadãos, que questionam as prioridades das instituições públicas num país onde muitas famílias enfrentam dificuldades económicas e sociais.
O centro da indignação é uma viatura Mercedes-Benz avaliada em cerca de 27,8 milhões de Meticais, incluída numa encomenda de quatro viaturas cujo valor global ultrapassa 49,5 milhões de Meticais.
Para muitos cidadãos, mais do que a compra em si, o que causa revolta é aquilo que consideram ser uma manifestação de “despejismo” por parte de uma instituição pública num contexto marcado por carências em sectores essenciais.
Nas redes sociais e nos espaços de debate público, surgem comparações entre o valor da viatura e necessidades concretas das comunidades. Há quem questione quantas carteiras escolares, equipamentos agrícolas ou outras necessidades básicas poderiam ser atendidas com recursos equivalentes.
A crítica não se limita ao preço da Mercedes-Benz. Cidadãos questionam também a opção por investir dezenas de milhões de Meticais na renovação da frota de uma instituição do Estado, enquanto persistem problemas relacionados com educação, agricultura, emprego e condições de vida.
O Conselho Constitucional é uma das instituições centrais do Estado moçambicano, com responsabilidades na fiscalização da constitucionalidade e em matérias eleitorais. Por isso, para os seus críticos, os gastos dos seus titulares e dirigentes deveriam ser particularmente escrutinados pela sociedade.
Num comentário na sua página de Facebook, a activista social Fátima Mimbire, afirma que “com esse valor, poderiam ser construídos dois ou três centros de saúde. E este é o mesmo Estado que não consegue pagar salários, horas extras e dívidas com professores, médicos, enfermeiros, militares, polícias, juízes e procuradores.
A activista afirmou ainda que “definitivamente, o problema de Moçambique não é a falta de dinheiro, mas sim a sua gestão e alocação, que obedecem a critérios de prioridades alheias ao bem-estar geral”. (Quarianews)





